Entenda tudo sobre prótese dentária

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A perda dos dentes sempre é um motivo de desconforto e preocupação. Além de prejudicar a estética de seu sorriso, esse dano também pode dificultar a fala, a mastigação e a formação de toda a arcada dentária. É por isso que cerca de 39 milhões de brasileiros fazem uso das chamadas próteses dentárias, que podem resolver muitos problemas de forma definitiva.

A justificativa para o uso tão massivo desse recurso é simples: a prótese dentária se tornou mais acessível, confortável e simples com o avanço da medicina odontológica. Apesar disso, o assunto ainda desperta muitas dúvidas em potenciais pacientes. Afinal, quais são as opções disponíveis para quem sofre uma perda dental? Quem pode colocar uma prótese? Como o procedimento é feito?

Hoje, você vai entender melhor como a prótese dentária funciona com o auxílio de um verdadeiro guia destinado a explicar quais são suas principais funções, indicações, características e objetivos. Confira!

O que é uma prótese dentária?

A prótese dentária nada mais é do que um material ou aparelho utilizado para substituir o(s) dente(s) perdido(s). Elas podem ser removíveis (encaixadas à boca), ou fixas (implantadas), a depender do tipo de tratamento mais indicado para o paciente. Elas podem ser confeccionadas com base em diversos tipos de materiais, como resina, porcelana e zircônia.

Apesar de demandarem algum tempo para aplicação e adaptação, a aparência das próteses de hoje é muito semelhante à estética dos dentes naturais. Por isso, o seu uso passa a ser imperceptível para a maioria das pessoas, proporcionando mais conforto e qualidade de vida aos usuários.

Como funciona uma prótese dentária?

Todas as próteses são feitas sob medida, a partir dos moldes retirados da boca do paciente. O dentista trabalhará em parceria com um técnico especialista para o desenvolvimento de um dispositivo compatível com suas necessidades, e será o responsável direto pela sua aplicação ou implantação.

Em linhas gerais, a aplicação vai depender do tipo de prótese escolhida. Normalmente, as próteses removíveis são mais rápidas, já que podem ser colocadas e retiradas pelo próprio paciente. No caso das próteses fixas, pode ser necessária uma intervenção cirúrgica (que deve ser feita pelo cirurgião-dentista) e um maior tempo de recuperação.

Quando é indicado o uso de prótese dentária?

A prótese dentária é indicada para aqueles que estão desprovidos de seus dentes naturais. Neste contexto, diversas circunstâncias podem ocasionar a perda de um ou mais dentes.

Doenças periodontais

As doenças periodontais são aquelas que podem comprometer a fixação dos dentes, como gengivite e periodontite. Homens com mais de 35 anos correm maior risco de desenvolver esses tipos de problemas, no entanto, eles podem acometer qualquer pessoa.

Para evitar uma doença dessa categoria, você terá que cuidar muito bem dos dentes e ter a sua higiene bucal acompanhada por um profissional ao longo da vida. Quanto mais você envelhece, mais forte é a necessidade de se cuidar. Infelizmente, a perda de dentes é comum entre os idosos, especialmente aqueles que não tomaram todas as precauções referentes à saúde bucal ao longo da vida.

Perda ou necessidade de restauração de dentes

Quedas, fraturas, pancadas e acidentes podem ocasionar a queda, quebra dos dentes de forma instantânea ou progressiva. Além disso, alguns fatores como idade avançada, desgaste dos dentes e maus hábitos de higiene diária também podem ajudar a acelerar esses danos.

Dentes extraídos

Os maus hábitos de higiene bucal (como não escovar ou usar fio dental regularmente, fumar ou evitar as visitas ao dentista) certamente afrouxarão as gengivas ou facilitarão a danificação dos dentes, justificando uma possível extração pelo seu dentista.

Se você optar por comer itens muitos açucarados e se recusar a escovar os dentes logo após, por exemplo, as bactérias podem corroer seus dentes. Isso não só pode causar cáries, mas também deteriorar os dentes ao longo do tempo. Quando esses problemas não são tratados, é possível que o dente chegue em um ponto no qual não possa mais ser recuperado e tenha que ser extraído.

A melhor maneira de evitar esses tipos de problemas nos dentes é limpá-los e passar o fio dental regularmente. Além disso, ficar longe de alimentos ricos em amido e açúcar também pode ajudar a manter a força dos dentes e gengivas.

Doenças autoimunes

Ainda que a sua higiene bucal seja boa, a incidência de algumas doenças autoimunes (como a síndrome de Sjögren, Lúpus e Doença de Crohn) podem favorecer a queda de dentes em adultos e crianças. Naturalmente, as crianças perdem os dentes de leite conforme crescem, mas existem outras razões mais sérias pelas quais os outros dentes podem se soltar e cair. Nos casos das doenças autoimunes, as células de defesa do próprio organismo impulsionam os processos que levam bactérias a causarem algumas doenças bucais, como a periodontite.

A partir do momento em que se chega na idade adulta, a perda dos dentes é um caso um pouco mais sério, pois há uma chance muito maior de que uma doença ou distúrbio esteja danificando a saúde bucal e possa causar ainda mais problemas no futuro.

Prótese dentária e implantes são a mesma coisa?

Apesar de o implante facilitar a inserção de um tipo de prótese, não é possível afirmar que ambos são a mesma coisa. De forma generalizada, os implantes normalmente exercem o papel de raiz do dente perdido, e após a sua colocação na gengiva, o paciente deverá repousar por semanas ou meses para garantir uma melhor fixação da prótese, que será colocada posteriormente por cima.

Esses tipos de substitutos encaixados pelo processo de implantes, são indicados apenas para as pessoas que perderam um ou mais dentes, mas não muitos, porque o seu molde depende dos dentes vizinhos para ser afixado e suportado (diferentemente do que acontece com as próteses, que muitas vezes, podem ocupar toda a boca). De forma sucinta, a prótese móvel é capaz de substituir uma arcada inteira, enquanto o implante é um processo executado para substituir um dente por vez.

Além disso, o implante proporciona estabilidade e conforto maiores do que as próteses móveis. Consequentemente, o paciente se alimenta melhor e tem mais segurança para sorrir ou socializar. No entanto, o procedimento é mais demorado e custoso, já que exige a intervenção de um cirurgião-dentista especializado.

Quais são os tipos de próteses mais comuns?

Atualmente, no mercado, existem dois tipos principais de próteses: as parciais e totais. Como o próprio nome explica, as próteses parciais são aquelas escolhidas quando apenas um ou alguns dentes são substituídos. Por outro lado, a prótese total é usada para substituir todos os dentes.

Também podemos classificar as próteses em mais duas categorias: fixas (implantadas na boca) e removíveis (que podem ser colocadas e retiradas). Em ambos os grupos, temos vários subtipos. Você vai conhecer os principais deles agora.

Prótese total removível

Conhecidas popularmente como “dentaduras” ou “chapas”, as próteses totais removíveis são a solução mais conhecida pelos brasileiros, indicadas para os casos nos quais houve a perda de todos os dentes.

Geralmente, este acessório é produzido em resina acrílica com base em moldagens que reproduzem a anatomia das arcadas superiores e inferiores de cada paciente. Durante esse processo, é fundamental que o dentista trabalhe em parceria com um protético para garantir todos os detalhes que respeitem a anatomia do usuário e suas feições naturais. Apesar de ser um modelo antigo, a tecnologia atual permite a personalização total da prótese, reproduzindo formatos, cores e tamanho da gengiva e dentes naturais.

A principal vantagem desse modelo é sua acessibilidade. Além de custar menos que as demais opções, ela também consegue devolver as funções de fala e mastigação, melhorando a autoestima e a estética do sorriso rapidamente. Entretanto, em alguns casos, pode oferecer pouca estabilidade na hora de comer e apresenta um desgaste mais rápido, quando comparada com as próteses fixas.

Prótese parcial removível

Também conhecida como “Roach”, a prótese parcial removível é muito popular e sua manutenção não é complexa, já que pode ser colocada e retirada com facilidade. Sua indicação é feita para aqueles que perderam poucos dentes, mas ainda mantém outros em situação saudável.

A estrutura dessa prótese consiste em uma liga de cromo-cobalto ou níquel-cromo que se apoia nos dentes naturais com o auxílio de grampos. Em virtude do material, o apelo estético desse tipo de dispositivo pode ser uma desvantagem, já que a parte metálica e os grampos podem ficar visíveis no sorriso. Além disso, o tempo de adaptação para ela pode ser prolongado, principalmente para aqueles que nunca utilizaram uma prótese antes.

Por outro lado, as próteses parciais removíveis são uma boa alternativa móvel para as pontes, que oferecem boa estabilidade durante a fala e mastigação, além de proteger os dentes remanescentes.

Prótese parcial fixa

As famosas “coroas” e “pontes” são exemplos dos grupos de próteses parciais fixas. Trata-se de uma restauração feita na coroa de um dente danificado ou frágil (em virtude de cáries, tratamento de canal ou algum outro tipo de perda da estrutura dental). Nestes casos, o tratamento recomendado é de uma prótese fixa unitária.

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Um outro tipo de prótese dessa categoria é a ponte fixa, que se trata da substituição de um ou mais dentes perdidos. Ela normalmente é recomendada para aqueles que ainda mantém dois outros elementos dentários ao lado posterior e anterior do dente perdido. Eles também devem ser preparados para receber a prótese, pois serão usados como suporte.

Há alguns anos, esses tipos de dispositivos eram confeccionados em metal e porcelana, mas felizmente alguns avanços permitiram a sua confecção com estruturas não metálicas, como a zircônia. O resultado é mais harmônico, do ponto de vista estético.

Prótese flexível

A prótese flexível tem esse nome em virtude da característica da resina com a qual é fabricada, que dispensa a necessidade de grampos e outras estruturas presentes em próteses parciais tradicionais. Consequentemente, o resultado estético é mais natural e confortável.

As próteses flexíveis são, portanto, uma alternativa viável aos dispositivos parciais removíveis. Seu uso é bastante requisitado em próteses provisórias e em casos de reabilitação.

Prótese sobre implantes

Os implantes dentários são as próteses mais abrangentes e complexas entre todos os modelos mencionados aqui. Assim como eles, os implantes podem substituir vários dentes de forma permanente. No entanto, ao contrário das coroas e pontes (que são posicionadas sobre os dentes naturais e ainda com raízes), os implantes dentários são fixados diretamente sobre o osso da mandíbula ou maxilar do paciente, e os pilares ficam sobre ele. Dessa forma, o implante funciona como um substituto da raiz natural, e serve como suporte para a prótese que será encaixada ou parafusada por cima dessa nova estrutura.

As próteses que são recebidas após o procedimento cirúrgico do implante imitam as características do dente natural, e podem ser confeccionada com diferentes materiais, como porcelana ou resina. Entre elas, dois subtipos se destacam: a prótese Overdenture e prótese Protocolo.

Overdenture

Trata-se de uma prótese que abrange toda a boca e pode ser encaixada ao maxilar ou mandíbula. Ela fica presa aos implantes por um anel metálico ou clipes que se adaptam a sua barra soldada sobre a base. Por oferecer mais estabilidade e segurança, é uma excelente solução para os pacientes, principalmente aqueles que apresentam reabsorção óssea.

Protocolo

A prótese protocolo também se apresenta como uma solução interessante para aqueles que perderam todos os dentes. O diferencial está nos seus materiais: ela pode ser feita em porcelana ou cerâmica, que garantem mais estabilidade na cor e menos desgaste com o tempo.

Ela também pode ser criada com o auxílio da tecnologia CAM/CAD. Nesse caso, toda a estrutura da prótese é criada por um computador acoplado a uma impressora 3D. A impressão é feita em zircônia, reduzindo o uso de soldas e proporcionando maior resistência ao dispositivo.

Como é o procedimento para colocar uma prótese dentária?

Cada tipo de prótese apresenta um processo de aplicação distinto. Confira agora como são os principais procedimentos.

Próteses totais removíveis

Por ser removível, a prótese total tem uma aplicação mais simples. Depois de confeccionado, o dispositivo é encaixado na gengiva, apoiando-se sobre as mucosas da boca. Para evitar a possibilidade de má fixação ou irritação (caso a prótese se mova), o paciente pode usar cremes fixadores ou adesivos formulados especificamente para este fim.

Próteses parciais removíveis

Normalmente, o processo de preparo para as próteses removíveis são mais fáceis e rápidos. O dentista fará uma avaliação prévia da saúde bucal do paciente e dos dentes que restam (alguns deles podem precisar de uma boa estrutura para conseguir suportar o tipo da prótese escolhida pelo dentista). Se o paciente estiver apto ao recebimento, é feita uma moldagem para a confecção da peça substituta. Na consulta seguinte, o paciente experimenta a prova e, caso haja a sua aprovação estética, a instalação é feita logo depois.

Próteses parciais fixas

Nos casos das próteses parciais fixas, o paciente poderá passar por uma avaliação para compreender melhor o estado geral da saúde de suas gengivas, dentes e parte óssea que receberá o tratamento endodôntico e o pino, ou suporte que sustentará a prótese. O dentista também poderá realizar um molde para a confecção da prótese fixa.

Após a recuperação, uma prótese provisória será fixada acima do suporte enquanto o dispositivo permanente é feito. O tratamento é finalizado com a remoção do acessório temporário, quando o dente estiver pronto para receber uma nova coroa.

Implantes

O implante dentário é o procedimento requisitado para implantação da prótese parcial fixa, mas ele também pode ser usado para próteses totais. Dependendo do tipo de trabalho de restauração realizado, mais de um dente protético pode ser suportado por um implante dentário singular.

Sendo assim, o implante fornece uma estrutura permanente, capaz de suportar uma coroa protética individual ou vários dentes protéticos. Esse trabalho geralmente é realizado sob anestesia local e demora menos de uma hora para ser finalizado. Quando um paciente precisa de vários implantes dentários de uma vez, a cirurgia pode ser feita sob sedação para garantir maior conforto. Após isso, é necessário aguardar um período de recuperação, que pode durar semanas ou meses.

Após esse período, há uma segunda etapa da cirurgia, destinada ao ajuste da prótese escolhida. Essa última imita as características do dente natural, e pode ser confeccionada em vários materiais como a porcelana ou resina.

É importante se lembrar que qualquer tipo de tratamento para a inserção de uma prótese requer a atenção e orientação integral de um dentista. É por meio da avaliação feita por esse tipo de profissional que você saberá qual prótese deve ser colocada, e conseguirá maximizar os seus benefícios (tanto estéticos quanto de saúde).

Quais são os principais cuidados após colocar a prótese?

Após a implantação da prótese (seja ela fixa ou removível), é normal que o usuário se sinta um pouco desconfortável por algum tempo. No entanto, com o tempo, acontece a adaptação e o corpo se ajusta ao novo padrão mastigatório. Com isso, a sensação ruim desaparece. Em alguns casos, pode ser necessário dar início a um tratamento com um fonoaudiólogo, principalmente se o paciente tiver se acostumado a passar muitos anos sem os dentes.

O dentista aconselhará cada paciente individualmente sobre o procedimento adequado de cuidados posteriores a implantação da prótese escolhida, de acordo com cada trabalho realizado. Porém, um plano típico de pós-atendimento envolve visitas regulares ao dentista, onde a condição do tecido ao redor do local do implante será inspecionada, em busca de sinais de possíveis problemas de adaptação.

No caso das próteses fixas, a densidade do osso também pode ser avaliada para garantir que o enxerto entre o osso e o implante ocorra dentro dos prazos previstos.

Por fim, a integridade geral e durabilidade da prótese dentária implantada (seja qual for o seu tipo) também se resumirá à higiene bucal diária feita pelo paciente. Além de uma boa limpeza, também será necessário adotar alguns cuidados extras para garantir a qualidade contínua da prótese. Descubra agora quais são eles.

Como cuidar da prótese?

As próteses removíveis demandam delicadeza na hora de serem manuseadas. Lembre-se de que elas podem quebrar em caso de quedas ou rachar quando mantidas em ambientes secos por muito tempo. Por isso, procure mantê-las sobre uma toalha no momento da colocação e deixe-as em um recipiente com água filtrada ou solução de limpeza própria na hora de dormir. Evite submergi-la em água quente, pois isso pode deformar a estrutura do aparelho.

A higienização da prótese móvel é fundamental para a manutenção de sua vida útil. Escove-a diariamente para remover resíduos de alimentos e placa. Existem pastas de dentes e produtos efervescentes disponíveis no mercado especificamente para esse fim.

Para complementar a limpeza, não se esqueça de escovar seus dentes, gengiva e língua cuidadosamente com uma escova de cerdas macias antes de inserir a prótese. Isso estimula a circulação sanguínea nas mucosas e evita a formação da placa bacteriana.

Já as próteses fixas têm a vida útil diretamente relacionada à sua técnica de fabricação. No entanto, é claro que os hábitos de higiene do usuário também são significativos para a sua durabilidade e também para a qualidade de sua saúde bucal. Nesses casos, a limpeza diária deve ser ainda mais cuidadosa para alcançar toda a estrutura do suporte e garantir que nenhuma sujeira ou restos de alimentos fiquem acumulados por ali.

Por fim, não deixe de agendar uma consulta de emergência com seu dentista caso perceba que sua prótese rachou, quebrou, lascou e se tornou mais frouxa. Em hipótese alguma tente consertá-las por conta própria, pois isso pode piorar a situação e colocar sua saúde em risco.

A dispensa do uso da prótese dentária, quando necessária, pode acarretar uma série de complicações para o paciente, como modificações na mordida, desequilíbrio nas articulações temporomandibulares, desconforto e problemas estéticos. Por isso, seu uso pode acarretar ganhos significativos, tanto para a saúde quanto para a autoestima.

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